Cidades: a epopeia do viaduto danificado

Cidades: a epopeia do viaduto danificado

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 05/02/2019

O tempo está passando e nada de solução. Esse é o drama vivido pelos motoristas que precisam usar a Marginal Pinheiros, em São Paulo, para se locomover. Tudo isso porque dia 15 de novembro, o viaduto da pista expressa da Marginal Pinheiros, a 500 metros da Ponte do Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo, cedeu cerca de dois metros.

Ainda bem que o acidente foi de madrugada, pois poucos motoristas trafegavam pela via, sem feridos graves. Cinco carros foram danificados, mas o prejuízo é diário pois uma longa parte do acesso ao viaduto foi bloqueada, causando imensas filas na marginal. A via bloqueada foi diminuindo, mas ainda causa transtornos.

E se é difícil para a população de uma maneira geral, imagina para quem usa o caminho para o trabalho, como os transportadores. Detalhe: a ponte fica quase em frente ao Ceagesp, logo, é caminho de muita gente que vai levar e buscar produtos ali, causando muito estresse para todos. O local também é rota de acesso à rodovia Castello Branco, uma das principais rodovias utilizadas pelos transportadores.

O secretário municipal de transportes, João Otaviano, contou que uma das placas de apoio das juntas de dilatação cedeu, mas até hoje não divulgaram uma causa para o acidente e muito menos uma solução. A estrutura já está escorada, para evitar desabamentos, mas falta a reforma correta para voltar ao normal.

Segundo o especialista André Figueiró, engenheiro e gerente de remodelação, pisos e cobertura da Sika, uma das possíveis causas para o ocorrido pode estar relacionada, também, a problemas de infiltração de água pela junta de dilatação do pavimento do viaduto, que estava deteriorado, possibilitando a degradação do concreto e armaduras.

“Sabemos que há muitos outros viadutos e pontes em estados semelhantes ao da Marginal Pinheiros ou, até mesmo, em pior estado, onde a qualquer momento podem acontecer acidentes desta natureza ou de maior gravidade”, avalia.

Oficialmente, a Polícia Civil ainda aguarda um laudo pericial com as prováveis causas do desprendimento da estrutura de concreto, o que vai dizer ainda se houve negligência da prefeitura na manutenção do viaduto.

Monitoramentos de viadutos e pontes são recorrentes, porém, é importante ressaltar que a execução de qualquer intervenção ocasiona muitos desafios, inclusive de ordem política, por agravar todo o trânsito, gerar reclamações por parte da sociedade e uma cobrança maior a gestão pública. “Por esse motivo muitas obras de recuperação estrutural não ocorrem e continuam prejudicando e até ferindo as pessoas”, alerta André.

“O pilar de apoio que rompeu deverá ser substituído por uma nova estrutura de concreto armado de alto desempenho e um novo aparelho de apoio. Em termos de tecnologia, o concreto poderá utilizar aditivos especiais, inibidores de corrosão e como acabamento pintura de alta espessura formar uma barreira protetora contra o ingresso de água e outros agentes agressores.  No entanto, o mais importante será o selante na junta de dilatação do pavimento que deverá exercer a função de resistir contra abrasão das rodas dos automóveis, a movimentação contínua do viaduto, chamado de alto módulo de alongamento, para apresentar uma vida útil prolongada”.

Agora é aguardar as cenas do próximo capítulo e cobrar da prefeitura que a manutenção de outras pontes e viadutos seja feita de acordo, para evitar acidentes como esse e até piores.