Atualidade: Caminhoneiros param o Brasil por 10 dias

Atualidade: Caminhoneiros param o Brasil por 10 dias

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 19/06/2018

Chegou a assustar. Entrar num supermercado e ver a sessão de hortaliças e perecíveis totalmente vazias. Postos fechados por falta de combustíveis, aeroportos fechados por falta de querosene, fábricas paradas por não terem insumos para produção. Frangos morrendo nas granjas por falta de ração. Vivemos no final do mês de maio um pesadelo, que até hoje ninguém pensou que se tornaria realidade, mas era real.

Foram 10 dias vivendo num universo paralelo, de estradas bloqueadas por filas e filas de caminhões em todo o Brasil. Numa ação muito bem orquestrada, caminheiros de norte a sul decidiam que não dava mais para continuar com o custo de operação tão alto. Combustível, pedágios, impostos.

Os caminhoneiros fizeram o governo trabalhar atrás de uma solução. Isso fez com que o presidente da República, Michel Temer e a equipe de ministros anunciassem no domingo (27/05) a noite uma série de medidas na tentativa de entrar em acordo com a classe em greve. Veja o que foi acertado:

Greve de caminhoneiros: Volta ou não volta?

O problema foi que, mesmo com as medidas editadas no diário oficial, ou seja, com um acordo acertado com entidades da classe de motoristas de caminhões, na segunda-feira, dia 28/05, os caminhões continuavam parados, não todos, mas uma boa parte deles.

Daí começava um segundo capítulo da greve, marcado por caminhões parados contra a vontade de seus motoristas, mas que estavam sendo forçados a continuar a paralisação. Não se entendia porque, mesmo com as demandas atendidas, eles continuavam sem exercer suas tarefas de distribuição.

Começava uma investigação para saber quem estava liderando o movimento naquele momento, já que os caminhoneiros diziam que queriam voltar a trabalhar. Foi o único momento que a greve não teve o apoio da comunidade, que no começo apoiava os caminhoneiros, mas isso aconteceu porque já não era uma paralisação de classe, e sim disputas políticas e de facções.

Mas na semana do dia 1º de junho, a situação foi controlada e a distribuição de combustível e de insumos em todo o país começou a acontecer e logo a se normalizar. Mas ficou evidente, nesse período, a importância da classe de caminhoneiros, pequenos, médios e grandes. O que se viu foi o Brasil parar diante uma única categoria, que provou ainda estar unida e contar, por muitas vezes, com o apoio popular.

Reivindicações

– Redução do preço do diesel: desconto de 0,46 centavos por litro pelo período de 60 dias, valor equivale à isenção da soma de PIS/Confins e Cide.

– Ajuste mensal: depois desse período, os aumentos devem ser feitos apenas mensalmente.

– Isenção do eixo suspenso: não será cobrado nos pedágios o eixo que estiver suspenso, quando os veículos estão vazios.

– Tabela de frete mínimo: será estabelecida uma tabela com valores mínimos de frete (este assunto ainda não está totalmente resolvido).

– Cota na CONAB: será reservado 30% dos fretes de transportes da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para os caminhoneiros autônomos.