Com alta no preço, transportadores têm que se virar

Com alta no preço, transportadores têm que se virar

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 06/05/2022

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Combustível: Com alta no preço, transportadores têm que se virar

Com média de R$ 6,977 no país, o diesel comum fica cada vez mais impactante no valor do frete e certamente vai afetar o consumidor e todas as pontas da cadeia de distribuição

Texto: Carol Vilanova

Fotos: Freepik /distribuição

O começo de março deu mais um susto daqueles no transportador – na verdade, em todos nós – com o anúncio do reajuste de quase 25% nos preços do diesel e da gasolina. Apesar de ter ficado alguns meses aumento, vamos lembrar que no ano passado sofremos com quase 50% de aumento em todos os combustíveis, a decisão da Petrobrás era necessária, segundo a própria estatal.

Para causar ainda mais susto dentro de casa, o gás de cozinha, chamado de GLP, também teve o seu ajuste, após um jejum de 5 meses sem alteração. No final do dia, todos os brasileiros são afetados, pois lideram a alta na inflação em todas os elos da cadeia de distribuição e consumo.

Com alta no preço, transportadores têm que se virar

Para entender melhor, desde o ano de 2016 a Petrobras pratica a Política de Paridade de Importação (PPI), seguindo, na maioria das vezes, os preços internacionais. Então, esse último aumento está ligado à alta global do preço do petróleo, e agravada por conta da desvalorização do real.

O preço do combustível deu uma guinada para cima no mundo inteiro. Segundo os dados, o preço do barril de petróleo do tipo Brent (referência usada pela Petrobras) chegou a subir mais de 40% em um mês, ultrapassando o valor de US$ 130/barril no mercado internacional. A guerra entre Rússia e Ucrânia é um dos motivos dessa alta no preço do barril, o que impacta o mundo inteiro.

Recentemente, o Senado chegou a aprovar um projeto de lei complementar (PLP) 11/2020, no qual propunha a adoção de um ICMS único para todos os estados, a fim de reduzir os preços da gasolina e do óleo diesel no país, porém, como foi modificada pelos senadores, a matéria voltou para análise da Câmara.

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Comparando os preços

De acordo com os estudos da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Fertilizantes (Fecombustíveis), o litro de gasolina subiria em média para R$ 7,02, contra a média atual de R$ 6,57 por litro. Já o diesel, subiria em média para R$ 6,48 o litro, contra a média atual de R$ 5,60 o litro.

Mas no fim das contas, ficamos da seguinte maneira, amargando o valor médio no país de R$ 7,471 na gasolina, segundo o levantamento feito pela ValeCard, empresa especializada em soluções de gestão de frotas. Apenas em São Paulo e no Amapá o preço ficou abaixo dos R$ 7,00, ou seja, R$ 6,981 e R$ 6,993, respectivamente.

Falando sobre o diesel, de acordo com o mais recente levantamento do Índice de Preços Ticket Log (IPTL), referente à primeira quinzena de março, após alta de 25% no preço do litro do diesel, o preço médio do combustível disparou mais de 15% quando comparado aos primeiros dias do mês.

No início da quinzena, o diesel comum vinha sendo comercializado, em média, a R$ 6,043. Logo após o aumento, o combustível passou a ser distribuído nas bombas a R$ 6,977, acréscimo de 15,5%. Já o diesel S-10 passou de R$ 6,120 para R$ 7,039, o que representa uma alta de 15%.

“O preço do diesel segue em disparada desde o início do ano e, após o reajuste nacional no preço dos combustíveis anunciado, o valor passa a pesar ainda mais no bolso dos motoristas, especialmente para os que abastecem no Nordeste”, aponta Douglas Pina, Head de Mercado Urbano da Edenred Brasil.

Com alta no preço, transportadores têm que se virar
Foto: Freepik.com

Quem é flex, usa etanol

De acordo com a ValeCard, com a alta da gasolina, o etanol passou a ser mais vantajoso nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. O preço médio do etanol no País, na primeira quinzena de março, foi de R$ 4,676. O combustível teve uma queda de 1,20% em relação a fevereiro, quando chegou a R$ 4,733.

Nos demais estados brasileiros, a gasolina ainda segue sendo mais vantajosa para se abastecer o veículo. O método utilizado nesta análise, descontando fatores como autonomias individuais de cada veículo, é de que, para compensar completar o tanque com etanol, o valor do litro deve ser inferior a 70% do preço da gasolina.

 Impacto no Frete

Não tem solução, sobe o diesel, o frete tem que aumentar também, se não for assim, não tem compensação para o transportador, principalmente, que já estava reclamando dos preços praticados do óleo diesel. O próprio Conselho Nacional de Estudos em Transporte da NT&C Logística (Conet) se manifestou, afirmando a necessidade da recomposição do preço do frete em razão dos aumentos dos insumos do transporte.

Segundo o conselho, o aumento do preço do diesel, da ordem de 24,9%, acarreta a necessidade de reajuste adicional no frete de, no mínimo, 8,75%, fator que deve ser aplicado emergencialmente nos fretes, acumulando um reajuste total de 28,96% na carga fracionada e 28,82% na carga lotação.

A NT&C Logística reitera a importância de o transportador negociar a inclusão nos contratos antigos e colocar nos novos contratos um gatilho para os aumentos do diesel”, diz parte do texto.

Já a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os coeficientes dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas, mediante aplicação do percentual de 24,58% ao valor do óleo diesel utilizado para o cálculo das tabelas, o que resultou em uma variação de 11 a 14% do referencial mínimo de frete, a depender do tipo da carga e número de eixos.

Como sempre, quem pagará essa conta é o consumidor vem antecipando os especialistas, quem vai pagar essa conta é o consumidor, já que as empresas de transporte terão que repassar para a indústria e para o comércio o resultado dessa equação entre aumento de diesel e frete.

 

Gasolina – Preço médio por Estado em reais        
Estado 11 a 13 de março (R$) 1 a 10 de março (R$) Variação (R$) Variação (porcentual)
AC 7,100 7,820 -0,720 -9,21%
AL 7,419 7,820 0,539 7,48
AM 7,508 6,822 0,686 10,06%
AP 6,993 6,624 0,369 5,58%
BA 7,791 7,518 0,273 3,62%
CE 7,710 6,855 0,856 12,49%
DF 7,434 6,860 0,574 8,37%
ES 7,622 6,981 0,641 9,18%
GO 7,434 6,897 0,536 7,78%
MA 7,504 6,831 0,673 9,85%
MG 7,684 7,103 0,582 8,19%
MS 7,031 6,524 0,507 7,77%
MT 7,219 6,761 0,457 6,77%
PA 7,700 7,128 0,572 8,03%
PB 7,117 6,630 0,488 7,35%
PE 7,357 6,833 0,525 7,68%
PI 7,727 7,211 0,516 7,15%
PR 7,357 6,591 0,766 11,62%
RJ 7,740 7,240 0,500 6,91%
RN 7,883 6,979 0,904 12,95%
RO 7,577 6,950 0,606 8,72%
RR 7,628 7,022 0,606 8,63%
RS 7,030 6,385 0,645 10,10%
SC 7,094 6,502 0,592 9,10%
SE 7,608 7,097 0,511 7,20%
SP 6,981 6,433 0,548 8,51%
TO 7,478 6,991 0,486 6,95%
Total 7,471 6,909 0,562 8,14%