Cuidados ao usar a embreagem

Cuidados ao usar a embreagem

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 04/03/2016

Exigida centenas de vezes durante a circulação do veículo, a embreagem merece todo cuidado na hora da operação e a realização no prazo da manutenção

Texto: Carolina Vilanova  | Fotos: ZF Sachs do Brasil 

 Vida de transportador é assim: liga o caro, pisa na embreagem, engata primeira, solta o pedal da esquerda devagarinho e sai. Com o veículo em movimento, não tarda para pisar no pedal da embreagem de novo e engatar segunda, terceira, quarta e por aí vai.

Mais à frente, logo no primeiro semáforo, a saga continua: pisa na embreagem, reduz a marcha, pisa de novo, coloca ponto morto a fim de parar o veículo, pelo menos por alguns instantes até pisar na embreagem, engatar a primeira novamente, soltar o pé devagarinho e sair de novo. E então, pisa de novo, engata segunda e a vida de entregas segue.

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Ufa, que canseira! E assim é o dia inteiro, ainda mais em grandes centros urbanos que contam também com um elemento nada surpresa: o trânsito intenso. Sendo tão exigido o tempo inteiro, o sistema de embreagem precisa de cuidados e atenção durante a operação. A durabilidade depende diretamente do bom uso por parte do motorista.

Segundo a engenharia da Sachs, fabricante do sistema, embreagem é responsável por transmitir e permitir a interrupção da transmissão do torque do motor para o câmbio do veículo. Além disso, também é a embreagem que absorve as vibrações torcionais do motor que provocam ruídos e desgaste de componentes do câmbio, trazendo mais conforto para o motorista.

A embreagem é composta pelo platô e pelo disco, sendo que o platô é fixado no volante do motor e o disco se encaixa ao eixo de transmissão. O restante do sistema conta com garfo de acionamento, rolamento, eixo piloto, cilindros, fluido e tubulação. Seu funcionamento, com a ajuda do fluido, faz a embreagem acoplar e desacoplar repetidamente.

 Cuidados ao usar a embreagem
Cuidados ao usar a embreagem

Dicas de operação

E foi com a ajuda do técnico da ZF Sachs do Brasil, Fabio Agonilha, que elaboramos um apanhado de dicas e cuidados para que você, transportador, use com responsabilidade a embreagem e economize seu dinheiro em peças e manutenção.

Segundo Agonilha, a embreagem de um veículo comercial leve dura em média entre 60 mil e 100 mil km rodados. Essa diferença de quilometragem vai se garantir exatamente na maneira como o motorista dirige e no cuidado que ele tem ao usar o equipamento.

Ele afirma que, sem dúvida, o fato de rodar muito em centros urbanos pode influenciar muito na redução desse tempo. “A durabilidade da embreagem de um veículo que roda apenas em centros urbanos sofre muito mais desgaste do que a de um veículo utilizado em rodovias ou até mesmo em trechos mistos”, diz.

“Manias motorista” podem prejudicar o uso da embreagem, segundo o técnico: “descansar o pé sobre o pedal e segurar o veículo na subida são as manias mais comuns. Porém, dirigir de forma agressiva, arrancar bruscamente dentre outros vícios, também são muito prejudiciais para a embreagem”, afirma.

 

Dicas para melhorar a utilização e a vida útil da embreagem:

» Acione o pedal da embreagem somente no momento da troca de marcha.

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» Nunca segure o veículo numa rampa utilizando a embreagem como freio, pois isso causa desgaste excessivo do disco.

 » Evite ultrapassar a capacidade de carga especificada pelo fabricante do veículo, já que esse fato também afeta o funcionamento da embreagem e diminui sua vida útil.

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» Evite acionar e desacionar bruscamente a embreagem para aumentar o torque ou alterar a rotação do motor quando se encontrar em uma velocidade compatível.

 »  Não inicie bruscamente a marcha, evitando arrancadas bruscas.

 »  Não descanse o pé sobre o pedal para evitar um aquecimento excessivo do sistema e o desgaste prematuro dos componentes.

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 »  Evite reduções bruscas de velocidade, freando ou desacelerando subitamente o motor.

 »  Mantenha a rotação do motor em saídas sempre a mais baixa possível.

 »  Nunca saia com o veículo em segunda marcha.

»  Evitar trocar de marcha em congestionamentos, quando terá que parar logo adiante

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 * fonte: ZFSachs do Brasil

 

Diagnóstico e manutenção

O sistema de embreagem, quando não está em ordem, apresenta alguns problemas mais comuns que podem ser identificados pelo próprio motorista. Não se esqueça de correr para o mecânico se sentir algum desses sintomas:

» Patinação: Quando a rotação do motor sobe e o veículo não ganha velocidade. Nota-se também um forte odor de queimado.

» Trepidação: Causada por desgaste nos componentes do sistema de acionamento da embreagem, é notada nas saídas com o veículo, principalmente com a rotação do motor baixa.

» Dificuldade de engate de marchas: Além da trepidação, o desgaste de componentes do sistema de acionamento também pode causar dificuldade e até mesmo a impossibilidade de engate de marchas. Pois pode fazer com que a embreagem seja acionada menos que o necessário para liberar a troca de marchas.

Para evitar problemas é essencial ficar de olho no sistema. “Por se tratar de um item de desgaste natural, não há necessidade de realizar ações preventivas. Porém, para garantir um bom funcionamento e durabilidade satisfatória, os componentes do sistema de acionamento, como garfo, cabo, cilindro mestre e auxiliar, atuador, etc, sempre devem ser substituídos no ato da instalação da embreagem. Além da realização da retífica do volante do motor e a limpeza da capa seca”, alerta Agonilha.

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Reposição original

“Todos já devem ter ouvido dizer que os itens que equipam originalmente os veículos apresentam maior durabilidade ante os comercializados no mercado de reposição. Porém na maioria das fábricas de autopeças não há distinção entre as duas linhas de fornecimento, o que na realidade gera a diferença de durabilidade entre uma e outra é o desgaste de todos os itens que existem entre o pedal da embreagem e o volante do motor. Não há como uma embreagem apresentar a mesma durabilidade com os componentes do sistema de acionamento desgastados, mesmo quando se trata de um produto genuíno”, garante o técnico da Sachs.

 

Embreagem reman:mais barata e sustentável

A Sachs coloca as embreagens remanufaturadas como opções apenas para os caminhões leves ou ¾  dos príncipais fabricantes. “Estes itens possuem o mesmo tempo de garantia dos itens novos, porém com custo cerca de 30% menor”, avalia Agonilha.

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Uma embreagem remanufaturada pela própria fábrica, como a linha Extra Power, da Sachs, é remontada seguindo os mesmos critérios de uma nova, ou seja, possui os recursos tecnológicos necessários para atingir a qualidade, atendendo inclusive aos requisitos ISO / QS 9000. “Ao adquirir um produto desses, fique atento ao lacre da embalagem e ao certificado de garantia.”

Última recomendação: fique bem longe das embreagens recondicionadas, você bem sabe que no nosso mercado é tentado de tudo para vender mais, sem pensar na qualidade do produto. Essas peças são construídas sem especificações de fábrica e geralmente vão apresentar problemas de patinação, trepidação, ruído ou ainda problemas mais graves, como superaquecimento do conjunto ou centrifugação do disco de embreagem. Fique esperto!