Disfunção da articulação temporomandibular

Disfunção da articulação temporomandibular

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 07/11/2015

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A Coluna De olho na saúde é escrita por Renato Albieri, especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial

Quem tem problema de disfunção da articulação temporomandibular ou DTM tem desordens que acometem a articulação temporomandibular, responsável pelos movimentos da mandíbula, desde os mais simples movimentos aos mais complexos, como falar, mastigar, bocejar e deglutir.

Muitas vezes confundidos com a enxaqueca, sem causa definida, são tratados paliativamente com analgésicos, por períodos longos, sem se dar conta de que o problema é na realidade outro.

Os principais sintomas estão relacionados às limitações dos movimentos mandibulares acompanhados de cefaléia, ruídos ou zumbidos articulares (no ouvido) e tonturas. Sabe-se que a disfunção temporomandibular está sempre associada a hábitos parafuncionais e sempre devem ser investigados.

O bruxismo é o hábito que leva o paciente a ranger os dentes de forma rítmica durante o sono ou mesmo durante o dia, como conseqüência de uma contração excessiva dos músculos da mastigação. Esse problema pode fazer com que os dentes fiquem doloridos ou amolecidos, e com alguma freqüência, os esmaltes dos dentes são desgastados. Outro hábito muito comum é o apertamento dentário ou bucal, sem que ocorra atrito entre os dentes.

Ambos estão na lista de hábitos parafuncionais mais prejudiciais à articulação temporomandibular, juntamente com os hábitos de mordiscar os lábios, bochechas, roer unhas, mascar chicletes.

O diagnóstico é feito através da coleta dos sintomas do paciente, associado à ressonância magnética da articulação temporomandibular, um exame de imagem capaz de nos mostrar as estruturas intra-articulares com detalhes, dando um bom panorama de problemas como os derrames intra-articulares, deslocamentos de discos e processos degenerativos.

Por causa da proximidade das estruturas anatômicas é de grande importância se descartar a possibilidade de diagnósticos como a labirintite e otalgia através da avaliação do médico otorrinolaringologista.

Em situações nos quais há dúvidas no grau de comprometimento das estruturas articulares, indica-se a artroscopia de ATM, procedimento realizado em ambiente hospitalar, sob anestesia geral, em que se é introduzido uma cânula no interior da articulação para ter uma visão das estruturas cápsulo-ligamentares através do vídeo.

Existem vários tratamentos que podem ser indicados, dependendo do quadro clínico e histórico do paciente. O especialista que atua nessa área é o cirurgião dentista especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, responsável para escolher a melhor forma de tratamento para cada um, podendo-se indicar desde tratamentos conservadores como uso de placas de mordida a tratamentos cirúrgicos, de maior complexidade.

A artrocentese da articulação consiste na lavagem do espaço articular da ATM, com a finalidade de limpar a articulação dos tecidos necrosados, sangue e mediadores da dor.

Outro procedimento são as injeções de toxina botulínica responsáveis em auxiliar no controle da força e tensão dos músculos da face. A toxina é mais conhecida por suas aplicações cosméticas, porém pode aliviar condições dolorosas dos músculos da mandíbula. Aplicação de calor úmido ou medicamentos como relaxantes musculares, analgésicos e antiinflamatórios são também muito indicados.

Em casos onde há luxação ou deslocamento do disco articular, indica-se a ancoragem do mesmo, realizado sob anestesia geral em ambiente hospitalar. Aconselhamos um diagnóstico precoce das DTMs e uma abordagem conservadora do Cirurgião Bucomaxilofacial. Prognóstico na maioria dos casos é bom.

OUTROS SINTOMAS COMUMENTE OBSERVADOS:
» Otalgia (dor de ouvido);
» Dor e pressão atrás dos olhos e região temporal;
» Um “estalido” ou sensação de desencaixe ao abrir ou fechar a boca;
» Dor ao bocejar, ao abrir muito a boca ou ao mastigar;
» Mandíbulas que “ficam presas” travam e apresentam limitação de abertura bucal (trismo).

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