Entrevista: Comerciais leves em crescimento

Entrevista: Comerciais leves em crescimento

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 17/10/2019

Alarico Assumpção Júnior, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, conta sobre a atuação da associação, prevê crescimento em 2019 e acredita na tendência dos veículos comerciais leves por fazerem a distribuição capilar das cargas.

Revista Frete Urbano: A Fenabrave tem uma história de mais de 50 anos. Por que se viu a necessidade de criar uma associação como esta? Quais eram seus objetivos e missões? Isso mudou com a evolução das últimas décadas?

Alarico Assumpção Júnior: A Fenabrave teve início como Abrave, Associação Brasileira dos Distribuidores de Veículos, fundada em 1965. Sua constituição está baseada nos pilares de desenvolvimento, fortalecimento e aprimoramento da representatividade política de umas das mais fortes e expressivas categorias econômicas do Brasil, que é a da Distribuição de Veículos Automotores que, atualmente, responde por 4,5% do PIB e gera mais de 300 mil empregos diretos.

Desde então, temos, como principal missão, defender os interesses do nosso setor, zelando pelo cumprimento da Lei 6.729/79, a Lei Ferrari, garantindo um equilíbrio das relações entre concessionárias e montadoras. Ao longo do tempo, também, assumimos compromissos junto às Associações de Marca com a formação e desenvolvimento de profissionais e gestores do segmento, contribuindo com a discussão sobre o futuro do nosso modelo de negócio por meio de estudos, debates e eventos, como o último 29º. Congresso & ExpoFenabrave, que abordou as melhores práticas de processos e ferramentas de negócios. Para a troca de conhecimento, também temos realizado Programas Educacionais internacionais, com parcerias com entidades como a NADA – National Automobile Dealers Association, dos Estados Unidos, por exemplo.

Como parte de seu Projeto Educacional, a Fenabrave também oferece diversos cursos online, por meio da Universidade Web Fenabrave, e, por meio da Fenacodiv, em parceria com os Sincodiv´s, realiza o FOCO- Fórum de Concessionárias, que oferece palestras presenciais às equipes das concessionárias de veículos nas principais capitais do País.

Constantemente, estamos atentos e acompanhando as tendências tecnológicas que estão transformando muitas das relações comerciais, evoluindo e ampliando a visão do nosso negócio e garantindo a geração de bens, riquezas e, principalmente, de empregos no Brasil.

 

RFU: Na sua opinião, quais foram os grandes desafios enfrentados neste período?

Alarico: A situação econômica do País, ao longo dos últimos anos, impactou, fortemente, os resultados das Concessionárias, assim como ocorreu com outros setores da economia. A crise comprometeu mais de 170 mil empregos e provocou a descontinuação de mais de 2 mil Concessionárias, mas, como tivemos algumas que foram inauguradas, o saldo ficou em uma perda de 1.200 empresas do setor.

Aos poucos, a situação vem melhorando, mas, seja em qual cenário for, o desafio permanente sempre será o foco nas pessoas, seja na gestão e aprimoramento das equipes como no atendimento ao cliente que, hoje, está cada vez mais conectado e exigente. Na parte política, que também impacta nos resultados do setor, nosso desafio tem sido manter equilíbrio na relação entre concessionárias e fabricantes de veículos, por meio das Associações de Marca e por ações conjuntas entre a Fenabrave e entidades congêneres, como a Anfavea.

RFU: Qual a abrangência da Fenabrave, quantas concessionárias reúne e quantas fábricas representa no Brasil?

Alarico: Atualmente, a Fenabrave reúne 50 Associações de Marca de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, implementos rodoviários, motocicletas, tratores e máquinas agrícolas, e conta com 23 Regionais. Ao todo, são mais de 7 mil concessionárias de veículos no País, presentes em mais de 1.100 municípios.

 

RFU: Qual o cenário do mercado de veículos novos e usados no Brasil? Podemos dizer que o brasileiro está comprando mais carro usado neste momento?

Alarico: De acordo com os estudos da Fenabrave, o mercado de veículos novos caminha a passos mais largos do que o mercado de usados. O que vemos é que, em 2019, as vendas de veículos usados cresceram 1,08% até agosto, enquanto as vendas de modelos novos avançaram 8,71%, ainda que alavancadas pelas Vendas Diretas.

Nesse cenário, a proporção de usados sobre novos está caindo. Em 2018, a cada veículo novo emplacado, foram realizadas 4,5 transações de veículos usados. Já em 2019, essa relação caiu para 1 veículo novo para 4,1 transações de usados.

 

RFU: A frota de veículos que circulam no Brasil está estimada em que número? Quantos desses são veículos comerciais leves?

Alarico: Conforme publicado em nosso Anuário 2018, tendo como fonte os dados do Denatran, a frota total de veículos registrados no País, até dezembro de 2018, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas, é de 95.348.055 milhões de unidades, sendo que, desse total, 8.761.003 unidades são comerciais leves. Vale ressaltar que, alguns estudos demonstram que 35% deste total não estão mais em circulação por diversos motivos, entre eles, não ter sido dada a baixa dos veículos.

 

RFU: O ano de 2019 será um ano bom para as vendas de veículos? Qual a expectativa de vendas para este ano? O que é necessário para o mercado crescer em 2020?

Alarico: Consideramos que 2019 será um bom ano para as vendas de veículos, considerando a base comparativa ainda baixa, com relação aos resultados dos anos em que o mercado caiu abruptamente. As projeções da Fenabrave indicam que teremos um mercado total com alta de cerca de 10% sobre o ano passado, considerando todos os segmentos somados. A previsão para as vendas de automóveis e comerciais leves é de 8,3% de avanço e, para caminhões, a projeção é de crescimento de 21,5%. Atrelado às vendas de caminhões, o mercado de implementos rodoviários deve alcançar 32,5% de aumento, sobre os resultados de 2018, e as vendas de ônibus indicam crescimento de 23,3%. Para o mercado de motocicletas, a Fenabrave projeta alta de 11,9%.

A única queda esperada é para o segmento de tratores e máquinas agrícolas, cuja projeção aponta para uma retração de 3,69% (para tratores) e 2,86% (para colheitadeiras). O bom desempenho do setor está atrelado a alguns aspectos, como os índices de confiança, por parte de consumidores e investidores, altamente influenciados pelo panorama político. Ou seja, ainda dependemos das reformas, como a da Previdência, para que a economia avance, de fato.

Outros fatores importantes estão atrelados ao crédito e taxa de juros. Os bancos já acenaram que estão com apetite para ampliar o mercado de financiamento de veículos e as taxas de juros estão mais atrativas, dada a agenda econômica do Governo Federal, de estímulo ao crescimento econômico do País.

Além disso, a queda gradual na inadimplência, em financiamento de veículos, tanto de pessoa física quanto jurídica, nos mostra um horizonte positivo. Contudo, temos de ficar atentos aos níveis de confiança do consumidor.

 

RFU: Na classificação da Fenabrave, quais são os veículos comerciais leves? Vans e caminhões de pequeno porte pequenos estão incluídos?

Alarico: A Fenabrave reúne, no Segmento de Comerciais Leves, modelos de picapes e furgões.

 

RFU: Qual a análise que a Federação faz do mercado de veículos comerciais leves, nos últimos anos?

Alarico: Nos últimos anos, temos observado algumas mudanças no modal de transporte nacional. A criação de portos secos, para o escoamento da carga, tem provocado uma mudança, também, com relação ao tipo de veículo, uma vez que, até por conta de legislação de trânsito, são necessários modelos específicos para a distribuição dessa carga nos centros urbanos. Por isso, acreditamos que, nesta tendência, as vendas de veículos comerciais leves, principalmente furgões, podem crescer ao longo do tempo, uma vez que são eles que fazem a distribuição capilar das cargas.

 

RFU: Hoje, o motorista ao adquirir um veículo deve pensar não somente na venda, mas, também, no que a concessionária oferece depois de ter o carro vendido… quais itens importantes nesse quesito?

Alarico: O pós-venda é um aspecto de grande relevância para o cliente, pois está, diretamente, atrelado à segurança dos usuários. Na concessionária, o cliente tem acesso à mão de obra preparada e especializada, com altos níveis de capacitação técnica, pois são profissionais que seguem normas e padrões de qualidade estabelecidos pelas montadoras, internacionalmente.

Além disso, nas concessionárias, o cliente tem a garantia de uso de peças genuínas, homologadas pelas montadoras. Dessa forma, fazendo as revisões periódicas, o cliente está prolongando a durabilidade do seu veículo, além, é claro, de poder contar com a garantia oferecida pela marca. Atrelado a isso, nas concessionárias, o cliente pode realizar a compra de seguro, de acessórios e muitos outros itens, tudo com garantia de procedência e de qualidade.

 

RFU: Um assunto em alta no momento é a eletrificação. O que é necessário para que as concessionárias acompanhem essa evolução? O Brasil pode receber esses carros a partir de quando?

Alarico: De acordo com os estudos do ICDP- International Car Distribution Programme, realizado a pedido da Fenabrave, o que vemos é que o Brasil ainda tem uma longa estrada a percorrer, no sentido de desenvolver a infraestrutura que esses modelos necessitam. Acreditamos mais no sucesso e viabilidade dos veículos híbridos do que os puramente elétricos, o que pode acontecer daqui a uma década, por estimativa.

Com relação às concessionárias, estaremos sempre preparados para qualquer demanda, como temos feito, de forma natural, a cada lançamento promovido pelas marcas e que agregam cada vez mais componentes e sistemas com as mais modernas tecnologias. O investimento feito pelas concessionárias em capacitação técnica dos profissionais é constante para atendermos, de forma eficiente e satisfatória, os clientes e seus veículos, sejam elétricos ou à combustão.