Especial: A importância do filtro de óleo em ordem

Especial: A importância do filtro de óleo em ordem

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 19/06/2018

Texto: Carol Vilanova | Fotos: Divulgação 

Principais fabricantes do componente falam sobre o melhor produto a ser usados pelos VUCS e as vantagens de mantê-lo sempre com a manutenção em dia, evitando dores de cabeça com reparos no seu veículo

Muita gente leva a manutenção do óleo lubrificante bem a sério, nunca deixa passar o prazo de troca. Mas e o filtro? Você sabia que ele também merece toda a atenção, se não o lubrificante do motor não vai ter a mesma eficiência?

É bom reforçar que a função do filtro de óleo é filtrar as impurezas para que elas não retornem ao motor, causando obstruções nas partes internas, baixas pressões, vazamentos entre outros problemas, podendo causar até mesmo danos permanentes no motor em casos extremos, quando não são seguidas as manutenções periódicas e preventivas do sistema.

Filtros de qualidade são capazes de eliminar a maioria das impurezas do lubrificante, como as partículas de metal geradas pela fricção entre as peças móveis, material carbonizado derivado da combustão, contaminantes não retidos pelo filtro do ar, entre outras.

“Os motoristas precisam ficar atentos à hora da troca do filtro de óleo, pois é ele que retém as impurezas da queima do processo de combustão, bem como resíduos do desgaste de peças do motor”, adverte João Moura, presidente da Abrafiltros – Associação Brasileira das Empresas de Filtros e seus Sistemas – Automotivos e Industriais, acrescentando: “Portanto, é fundamental para a adequada lubrificação do motor”. Segundo Moura, caso a filtração não seja efetuada de forma correta, os poluentes podem contaminar o óleo e se acumular no motor.

Ronilso Toledo, supervisor de assistência técnica da Sogefi Filtration do Brasil, que fabrica os filtros Fram, conta que após ser coletado no cárter, o lubrificante do motor passa pela bomba de óleo e segue pressurizado para dentro do filtro, onde é forçado a atravessar o elemento filtrante, que é feito com um papel especial capaz de reter até as menores impurezas.

 A importância do filtro de óleo em ordem

Ele complementa que, como os componentes do motor trabalham com folgas mínimas e são muito exigidos, o filtro do óleo é fundamental para aumentar a sua durabilidade. “Décadas atrás, por exemplo, quando os lubrificantes eram menos eficientes e muitos veículos não usavam filtros do óleo, era comum um motor necessitar de retífica após pouco mais de 100.000 km”.

A engenharia da Tecfil explica que o filtro é uma peça integrante do motor, cuja finalidade principal está em reter partículas nocivas ao sistema que podem ser trazidas pelo ar, óleo e combustível. A retenção acontece por meio de um processo físico ou mecânico intermediado por um meio filtrante de tela, algodão, lã, poliéster, feltro, fibras, papel, etc. Por esse motivo quanto melhores forem os filtros, mais eles evitam o desgaste prematuro do motor.

Os filtros de óleo funcionam da mesma maneira, mas cada marca tem a sua particularidade na tecnologia e construção. André Gonçalves, consultor técnico da MANN-FILTER, conta que basicamente em um filtro blindado existem componentes metálicos, de borracha e meio filtrante. “Mas por mais comuns que pareçam ser, tem diferenças, por exemplo, componentes metálicos há diferença na espessura da caneca, ou a mola interna que não usa a liga de aço correta e não tem a função de mola não garantindo a vedação entre o lado limpo e o sujo, componentes de borracha estes têm que absorver a deformação e garantir a vedação, e o meio filtrante que é onde ocorre a principal função quem é reter as partículas que a montadora determina, por isto que o fabricante serio segue esta especificação e não utiliza um meio filtrante padrão”, observa.

Em relação às novas tecnologias, na Mann, o meio filtrante sintético é um novo conceito que atende as especificações mais exigentes das montadoras em eficiência, garantindo a capacidade, ou seja, maior vida útil do componente. Outra evolução é a substituição da válvula anti-retorno convencional (borracha, prato e mola) por outra em silicone. “E existe uma tendência para a substituição do filtro blindado para o filtro ecológico (sistema de cartucho/elemento filtrante)”, diz.

O técnico da Sofegi lembra que sistema de filtragem nos filtros Fram também possui uma válvula de retenção (antirretorno) que mantém um pouco de óleo dentro do filtro quando o motor está desligado. Dessa forma, garante uma lubrificação instantânea na próxima partida, evitando que o motor trabalhe a seco.

Em complemento, ainda existe a válvula de segurança, que se abre automaticamente e permite a passagem direta do óleo para o motor, sem filtrar. Isso ocorre sempre que, por negligência, o filtro estiver saturado por falta de troca. A válvula garante a continuidade da lubrificação do motor, mesmo com um óleo contaminado.

Nos filtros de óleo do tipo blindado (ainda o mais usado pela frota nacional), essas válvulas ficam dentro da carcaça metálica, junto do meio filtrante, formando uma peça única. Já nos sistemas mais modernos, que usam cartuchos ecológicos, as válvulas costumam ser montadas no alojamento do filtro, que pode ser feito em alumínio ou plásticos de engenharia. Também existem alguns fabricantes que montam essas válvulas em outras partes do motor, como no bloco, na bomba de óleo ou até no cabeçote.

Sobre as novas tecnologias em filtros de óleo, a fabricante dos filtros Fram afirma criar produtos cada vez mais eficientes, compactos, leves e recicláveis. Dessa forma, a empresa auxilia os seus clientes na fabricação de veículos com um melhor desempenho, maior durabilidade, menores custos de manutenção e o mínimo impacto ambiental.

“Dentro desse conceito, as duas principais tendências atuais são investir no desenvolvimento de filtros do tipo cartucho ecológico que sejam cada vez mais fáceis de reciclar e em papéis de filtragem de alta eficiência e compatíveis com os novos lubrificantes, como os sintéticos”, conta Ronilso.

O gerente de desenvolvimento e qualidade da Wega Motors, Fabio Oliveira de Castro, afirma que na empresa existem dois modelos de filtros: filtro do óleo blindado e filtro do óleo refil, podendo ser ecológico. Segundo ele, o filtro de óleo blindado tem seu conjunto construído com caneca de aço, tampa, junta de borracha, meio filtrante em papel e válvulas, quando equipados.

“Já o filtro de óleo refil ecológico tem sua construção sem nenhuma parte metálica, somente tampa plástica fundida diretamente no papel, podendo ser papel celulose ou sintético, essa é uma tendência que vem equipando cada vez mais os veículos, nesse caso apesar de já existir a bastante tempo é o que existe de mais avançado em termos de tecnologia para filtro de óleo”, analisa.

A importância do filtro de óleo em ordem: Filtros de óleo para VUCs

Para o técnico da Mann, falando em filtro para óleo lubrificante, não existe um específico para VUCs, pois há algumas aplicações em que um filtro é usando tanto em um motor movido diesel quanto para um motor ciclo Otto, isto é possível pois as especificações exigidas pela montadora foram as mesmas, portanto basicamente e eficiência de filtragem, capacidade e a pressão de abertura da válvula by-pass foram respeitadas.

André completa que a diferença fica basicamente na capacidade, por isso que os filtros são maiores, para ter uma área de filtragem maior afim de atender a capacidade determinada, quanto ao meio filtrante ele pode ser ou não um aplicado em motores “flex”, tudo se resume a especificação exigida pela montadora.

Segundo a Sogefi, o funcionamento básico dos filtros é parecido, tanto nos motores de ciclo Diesel quanto nos de ciclo Otto (gasolina, etanol, GNV ou flex). O que costuma variar, dependendo da especificação do fabricante do veículo ou do motor é o elemento filtrante, ou seja, o tipo do papel, sua espessura, porosidade, dobras e disposição na montagem do filtro, etc.

“Por isso que é fundamental usar exatamente o filtro indicado para cada veículo. Dois componentes podem ser muito parecidos e até os dois podem montar perfeitamente no mesmo veículo. Mas sempre existirão diferenças internas que podem danificar o motor se a aplicação estiver errada, principalmente no caso do filtro de óleo”, orienta Ronilso.

Já Fábio, da Wega lembra que isso acontece na aplicação do filtro separador de água/combustível, responsável por barrar partículas de água presentes no diesel, garantindo que somente o combustível siga para o sistema, dessa forma teremos um ótimo funcionamento do motor e vida longa para os componentes do sistema.

Em relação à diferença de filtros para motores flex e motores diesel, o técnico afirma que nesse caso temos que comparar a sua construção. “Podemos notar uma diferença, o motor com alimentação diesel e que tem seu gerenciamento eletrônico, obrigatoriamente o filtro tem papel sintético, quando tratamos de veículos flex que podem trabalhar somente com gasolina, etanol ou os dois combustíveis proporcionalmente misturados, o meio filtrante é papel de celulose”.

A importância do filtro de óleo em ordem- Quando trocar

É unanime entre os fabricantes que os filtros devem ser trocados de acordo com a recomendação do fabricante do equipamento, ou seja, da montadora. Seja ele industrial ou automotivo este intervalo de troca é especificado no manual do veículo. No caso do filtro do óleo, a substituição deve ser feita sempre que o óleo for trocado, já que o filtro retém as impurezas dispersas no óleo durante o funcionamento do equipamento. “Quando o consumidor opta por não realizar a troca do filtro toda vez que faz a troca do óleo, ele estará comprometendo a qualidade do óleo lubrificante e seu desempenho, consequentemente prejudicando a vida útil do motor e seus componentes”, diz André.

Isso porque o filtro do óleo usado já está saturado e não terá o mesmo desempenho de um item novo na filtragem do óleo. “Além disso, colocar um óleo novo em um filtro velho causará a contaminação do líquido, impedindo que ele tenha o desempenho esperado e especificado pela fabricante e gerando a formação de borra dentro do motor”, completa.

Ronilso esclarece que a primeira recomendação é que esses períodos sejam sempre respeitados. Outro cuidado, principalmente em veículos utilitários, é observar se o manual não indica prazos diferentes para uso normal ou severo. Depois, é fundamental substituir o filtro a cada troca de óleo do motor. Dessa forma, evitamos a contaminação do lubrificante novo por aquela quantidade de óleo usado que sempre fica retida dentro do filtro.

“O filtro velho também pode estar saturado e com a válvula de segurança aberta. Numa situação assim, o lubrificante novo circulará sem qualquer filtragem até a próxima troca, comprometendo a durabilidade do motor”, alerta.

A Wega recomenda a troca a cada 10 mil km ou ser efetuada uma verificação com maior constância em casos em que o veículo é submetido a condições mais severas de uso, como no caso de circular em estradas muito poeirentas, como as de terra. Fábio indica que sempre que trocar o óleo, o filtro também seja trocado, para um melhor desempenho de ambos, prevenindo maiores e futuros problemas no motor e seus componentes e consequente gastos inesperados.

Fábio recomenda que sempre que possível essa substituição seja efetuada em oficina mecânica de confiança do motorista. “Mas sabemos que em casos extremos, da linha pesada por exemplo, que muitas vezes viajam longas distâncias e nem sempre conseguem estar dentro do prazo de troca próximos de uma oficina, os motoristas acabam tendo que recorrer aos postos disponíveis nas estradas. O problema é que nem sempre esses profissionais têm conhecimento suficiente para efetuar corretamente a troca ou a indicação do melhor produto a ser aplicado. Nesses casos, recomendamos sempre que o motorista leve o manual do proprietário do veículo consigo e siga sempre a recomendação constante no capítulo de Manutenção, analisa.

De acordo com o técnico da Fram, outro cuidado importante, mas que poucos fazem, é verificar com atenção o aspecto do filtro que foi trocado. “Se a carcaça metálica de um modelo blindado estiver estufada, por exemplo, é um sinal de que a válvula reguladora de pressão pode estar com problemas”, lembra Ronilso.

Mas o que acontece se o filtro não for trocado no prazo recomendado? André explica que os principais danos ou problemas causados por óleo contaminado com impurezas ou utilizado além da quilometragem especificada pelo fabricante são o baixo desempenho do motor e os desgastes prematuros das peças e a redução vida útil do equipamento. “O sistema de filtragem é fundamental para a preservação do bom desempenho do motor e da vida útil de seus componentes, pois, conforme explicado, ele tem como função reter e impedir a entrada de impurezas no sistema de lubrificação”.

Ronilso complementa: “como falamos anteriormente, sobre a questão da válvula de segurança, por exemplo, a falta de cuidado na manutenção do filtro de óleo pode causar vários problemas no motor do veículo, desde desgastes prematuros (que serão notados apenas com o passar dos anos) até casos extremos, como ter o motor fundido em decorrência de algum vazamento ou da instalação de um filtro errado, que pode impedir o fluxo correto do lubrificante”.

De uns anos para cá, também é muito importante atentar para dois problemas sérios do mercado brasileiro de autopeças: os filtros sem qualidade e os falsificados. “Muitos filtros de marcas desconhecidas são quase uns “enfeites” e acabam reduzindo a durabilidade do motor. E, para não ser enganado e acabar levando um filtro falso, é importante sempre fazer as compras em empresas idôneas, pedir a nota fiscal e guardá-la até a próxima troca”, alerta o técnico da Sogefi.

Depois de usado

O filtro de óleo nunca deve ser reaproveitado, isso de acordo com a Mann e a Sogefi. Sempre que atingir sua vida útil (por horas ou quilometragem) ou o motor passar por uma manutenção mais severa, deve ser trocado. Segundo a Sogefi, após o uso, o filtro de óleo automotivo é classificado como “Resíduo Perigoso Classe I”.

Por isso, não pode ser colocado no lixo tradicional e toda empresa geradora desse resíduo (oficinas, concessionárias, postos de combustível, trocas de óleo, etc.) deve realizar o descarte dos filtros usados com empresas especializadas e devidamente habilitadas para essa recolha, conforme previsto nas legislações ambientais.

É importante ressaltar que, em cumprimento à legislação e ciente da importância da preservação do meio ambiente, a Sogefi participa desde 2012 do programa de logística reversa “Descarte Consciente” da Abrafiltros, atualmente implantado nos estados de São Paulo, Paraná e Espírito Santo, além de estar em licitação no Mato Grosso do Sul.

Esse programa coleta e recicla filtros de óleo usados conforme as metas gradativas e a abrangência geográfica definidas com os órgãos ambientais. O programa é gerenciado pela Abrafiltros, com o apoio das principais empresas do setor, e já reciclou mais de 10 milhões de unidades. Mais informações no site: www.abrafiltros.org.br/descarteconsciente.