Falando de Esportes: No futebol, agora o que manda é o dinheiro

Falando de Esportes: No futebol, agora o que manda é o dinheiro

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 14/08/2019
A coluna Falando de esportes é escrita por Carlos Briotto, jornalista formado pela Universidade Metodista
A coluna Falando de Esportes é escrita por Carlos Briotto, jornalista formado pela Universidade Metodista

Seja no boteco, no trabalho ou numa festa de aniversário quando o assunto é futebol, todo e qualquer comparativo serve para o torcedor tirar uma casquinha do time adversário e dizer que seu time é o maior de todos. A discussão pode ir desde o time que tem mais títulos até no comparativo de maior torcida, quem forneceu mais jogadores para a seleção, quem teve o melhor goleiro, o maior centroavante, quem já foi rebaixado, qual título é mais importante e etc.

Nos últimos anos uma nova forma de comparação começou a rodear e apimentar as discussões entre os torcedores sobre a superioridade do seu clube em relação aos outros. Isso acontece porque a cada dia que passa o futebol é mais negócio que entretenimento. Nenhum clube consegue mais ser protagonista se não tiver uma boa gestão administrativa e financeira.

No Brasil isso ficou mais evidente quando houve a ruptura do Clube dos Treze.

Nesta época os valores negociados com a televisão eram rateados quase que em partes iguais entre os principais clubes brasileiros (Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco da Gama, Internacional, Grêmio, Atlético/MG, Cruzeiro e Bahia).  Isso gerava um equilíbrio técnico entre as equipes.

Com o seu fim, os clubes passaram a negociar individualmente suas cotas com a televisão e aí começou a haver o distanciamento financeiro entre eles. Naturalmente lógico, as agremiações que possuem maior torcida ou dão maior audiência começaram a receber fatias maiores por sua participação. Consequentemente, o lado econômico começou a pesar na hora da montagem do time. Quem tem mais recursos consegue os melhores jogadores.

Para demonstrar isso vamos aos números. Desde 2011, ano em que acabou o Clube dos Treze, foram disputados oito Campeonatos Brasileiros. Somente quatro, entre treze principais clubes, foram campeões.  Corinthians (3), Cruzeiro (2), Palmeiras (2) e Fluminense (1). Na Copa do Brasil tivemos: Palmeiras (2), Cruzeiro (2), Vasco da Gama, Flamengo, Atlético e Grêmio (1).

Isso significa que dos treze principais clubes somente oito foram protagonistas, demonstrando que o lado financeiro passou a ser o fiel da balança na hora de definir quem é quem em termos de condições técnicas para vencer um campeonato.

O site transfermarkt.com.br, especializado neste tipo de avaliação, divulgou o ranking dos times brasileiros mais valiosos. Em primeiro lugar está o Flamengo com valor de mercado de R$ 483 milhões seguido de perto pelo Palmeiras que vale R$ 479,5 milhões. Abaixo tabela geral com os dez mais valiosos clubes nacionais.

 

Flamengo – R$ 483 milhões

Palmeiras – R$ 479,5 milhões

São Paulo – R$ 346,5 milhões

Grêmio – R$ 344 milhões

Corinthians – R$ 319,2 milhões

Fluminense – R$ 269,6 milhões

Internacional – R$ 262,1 milhões

Santos – R$ 230 milhões

Atlético/MG – R$ 202 milhões

Cruzeiro – R$ 193,3 milhões

O técnico Jorge Jesus e o Felipe Luis, novas contratações do Flamengo

O site também compara os elencos. Os dez jogadores mais valorizado do futebol brasileiro valem R$ 588 milhões. Eles estão distribuídos em seis equipes.

Éverton Cebolinha – Grêmio – R$ 84 milhões

João Pedro – Fluminense – R$ 84 milhões

Dudu – Palmeiras – R$ 63 milhões

Pedrinho – Corinthians – R$ 63 milhões

Gabriel Barbosa – Flamengo – R$ 63 milhões

De Arrascaeta – Flamengo – R$ 63 milhões

Gerson – Flamengo – R$ 63 milhões

Luan – Grêmio – R$ 50,4 milhões

Éverton Ribeiro – Flamengo – R$ 50,4 milhões

Alexandre Pato – São Paulo – R$ 37,8 milhões

Dudu, um dos craques do Palmeiras, que vale milhões

Podemos então comparar nossa situação com o futebol europeu, onde o profissionalismo está totalmente solidificado. Lá, entra verão e sai verão, vemos sempre os mesmos times disputarem os títulos nacionais e internacionais. Na Espanha são Barcelona e Real Madrid, na Itália a Juventus, na Inglaterra são Chelsea, Manchester City, Liverpool, Tottenham e Manchester United, na Alemanha o Bayern de Munique e na França o Paris Saint-Germain. Se olharmos o ranking europeu dos clubes mais ricos, estes estão entre os mais valorizados.

 

Barcelona – Espanha – R$ 5.335 bilhões

Manchester City – Inglaterra – R$ 5.208 bilhões

Real Madrid – Espanha – R$ 4.998 bilhões

Liverpool – Inglaterra – R$ 4.536 bilhões

Paris Saint-Germain – França – R$ 4.180 bilhões

Juventus – Itália – R$ 3.964 bilhões

Tottenham – Inglaterra – R$ 3.800 bilhões

Chelsea – Inglaterra – R$ 3.630 bilhões

Atlético de Madrid – R$ 3.480 bilhões

Manchester United – Inglaterra – 3.365 bilhões

Bayern de Munique – Alemanha – 3.180 bilhões

 

Messi, jogador do milionário Barcelona

A conclusão que podemos chegar é que para os próximos anos algumas equipes como Flamengo e Palmeiras se distanciem entre os demais e devem polarizar as disputas pelos títulos.

*Fonte: transfermakt.com.br