Fórum discute o transporte de cargas

Fórum discute o transporte de cargas

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 23/10/2015

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Transportadores e autoridades do setor discutem os problemas e soluções da mobilidade de cargas urbanas nas grandes cidades

Texto: Carolina Vilanova | Fotos: Divulgação

Com o tema O Futuro do Transporte de Cargas nas Grandes Cidades – Abastecimento e Mobilidade de Cargas Urbanas, o seminário internacional realizado pela Secretária Municipal de Transportes e pelo SETCESP foi palco de boas notícias para o setor de transporte de cargas urbanas.

Realizado no dia 18 de maio na sede do SETCESP, em São Paulo, contou com a participação de dezenas de transportadores, além de personalidades importantes do setor, como o presidente da entidade Manoel Sousa Lima Junior, o presidente do FETCESP, Flávio Benatti; o diretor do DSV, Roberto Vitorino; o secretário de transportes Gilmar Tatto; e até mesmo do prefeito da cidade, Fernando Haddad.

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O presidente da associação abriu o evento Manoel falando dos projetos do setor em curto prazo e a participação da secretaria de transportes mais ativa no setor. “A SETCESP está tendo uma ótima interlocução com a Secretária do Transporte, como jamais vista em tempo recente. O secretário e sua equipe tem tratado nosso setor com respeito, ouvindo nossas propostas e atendendo sempre que possível”, discursou.

Flavio Benatti, que preside a associação nacional, lamentou os problemas da mobilidade ter sido muitas vezes deixados de lado no passado. “Quero deixar os cumprimentos do setor para a atual administração, para a secretaria e a prefeitura pela oportunidade de dialogar. Sabemos que não é fácil administrar uma megalópole e seus problemas”, afirmou.

“Temos feito viagens técnicas mundo afora para ver como uma metrópole como Nova Iorque, por exemplo, lida com o problema de trânsito, que também é complexo, e quais as medidas que eles tomam que possam servir de modelo para nos. Nova Iorque dá preferencia para o abastecimento da cidade, o planejamento é voltado para uma fluidez melhor no abastecimento da cidade”, analisa Benatti.

A principal novidade do evento foi o anúncio de Tatto que afirmou a criação de um departamento específico para tratar de assuntos relacionados ao setor de cargas. “Nós temos que planejar e executar um plano de mobilidade voltado ao transporte de mercadorias. Por isso, o prefeito firmou o compromisso de criar uma diretoria de cargas do setor de transporte, que terá a participação de todos os envolvidos, de maneira a solucionar os problemas do setor”, afirmou, para aplausos da plateia.

“Dentro da lei que trata da mobilidade é priorizado em primeiro lugar o pedestre, em segundo os veículos não motorizados, em terceiro lugar é o transporte público e apenas em quarto vem o abastecimento, o transporte de cargas. Ou seja, o transporte que faz a distribuição sempre foi deixado de lado, não foi colocado como preocupação central do governo. Mas o prefeito falou que área também precisa ser cuidada, que é vital para ao abastecimento de todos os setores, por isso abrimos diálogo com o setor, em vez de colocar pratos prontos, para juntos encontrar a solução.

Ele continuou: “A cidade tem um problema de ociosidade justamente de madrugada. Fomos ver lá fora como fazem para entregar as mercadorias na cidade durante a madrugada. Resolvemos fazer um piloto aqui, uma experiência, numa região da cidade. Acionamos a Polícia e outros setores da prefeitura para viabilizar o projeto”.

O prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, também esteve presente e empolgou os transportadores quando endossou a criação de uma área própria para o setor. “Nós vamos criar esse departamento próprio para o transporte de cargas, já está decidido, estamos vendo o formato ideal para que tenha longevidade”, afirmou.

Haddad falou ainda da importância de retomar as prioridades que a legislação faz em relação à mobilidade nas metrópoles. “Eu considero o transporte de cargas como transporte coletivo, está cuidado do interesse coletivo, abastecendo coletivamente todo o comércio, a indústria, gerando emprego. Temos que ter a compreensão da sua prioridade em relação ao transporte individual motorizado, ou vamos cometer os mesmos erros do passado”, completou.

Palestras e painéis

O programa também contou com uma palestra internacional ministrada pelo Professor Dr. José Holguin-Veras, do Instituto Rensselaer de Nova York, nos Estados Unidos. Ele falou sobre o tema “A importância do transporte de cargas nas grandes cidades e o panorama de iniciativas pelo mundo”, e o debate sobre as ações e alternativas para o trânsito e a mobilidade nas grandes cidades.

O professor, que apoiou a criação do departamento de cargas em São Paulo, e apresentou como esse setor funciona em Nova Iorque, além de colocar sugestões. Ele afirma que a mobilidade é um problema para ser resolvido em conjunto. “O frete é parte integrante do sistema, tudo gira em torno de entregas: roupas, alimentos, equipamentos, etc…”, disse.

Uma de suas sugestões é melhorar a infraestrutura e as áreas de estacionamentos, fazer treinamento dos transportadores, otimizar a logística, reorganizar os horários de entrega, melhor administração do trafego, criar pequenos terminais urbanos, etc. Ou seja, tudo tem que ser revisto para que o setor funcione melhor como um todo.

Também durante o Fórum, foram apresentados os resultados do Projeto Piloto de Entregas Noturnas realizado pela Prefeitura de São Paulo com o apoio do SETCESP, que segundo Tatto, foram altamente positivos. “Conseguimos ganhos significativos, de duas viagens os caminhões passaram a fazer quatro viagens, praticamente não tivemos problemas de barulho e nenhum assalto, o objetivo agora é ampliar as regiões e setores envolvidos”, comentou. Ele espera que a adesão das empresas seja plena, assim como ocorreu com o projeto piloto.

O Fórum deixou muita gente animada em relação ao setor nos próximos anos, e deixou mais uma vez claro que esse é um trabalho que deve ser feito em conjunto para que o resultado seja bom para todos. Não só os consumidores saem ganhando com entregas mais rápidas e eficazes quando os transportadores, que podem trabalhar com mais tranquilidade e rentabilidade, que afinal, é o que todos querem.

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