VUCs também transportam riquezas nas rodovias

VUCs também transportam riquezas nas rodovias

Posted by: Carolina Vilanova
Em: 15/07/2019

Motoristas autônomos e transportadoras de veículos comerciais de pequeno porte, mais utilizado nas cidades, enfrentam as dificuldades das estradas em diversos momentos

Texto e fotos: Carol Vilanova

Fotos: Divulgação

Apesar de ter tamanho e capacidade para trafegar dentro de grandes centros urbanos, o que é uma vantagem nos dias de hoje, os VUCs também se aventuram pelas estradas do Brasil. São diversos trechos, transportando o mais variado tipo de carga, assim como os caminhões maiores. E certamente encontram ainda mais obstáculos e dificuldades que existem nas vias urbanas, com um agravante: risco maior de se envolver num acidente de grande porte.

Trafegar pelas estradas do Brasil exige uma dose de coragem, principalmente, se o seu destino for daqueles mais perigosos e com mais dificuldade de chegar. De acordo com a CNT (Confederação Nacional do Transporte), a malha viária do Brasil registrou em 2017 a extensão total de 1.720.700,3 km, sendo que 12,4% são de rodovias pavimentadas (213.452,8 km) e 78,5% não são pavimentadas. E a metade dos trechos pavimentados apresentam problemas. Acredite.

As rodovias do Brasil são responsáveis pela movimentação de mais de 60% das mercadorias e de mais de 90% dos passageiros, ainda segundo a CNT. As melhores rodovias são aquelas administradas por concessões, ou seja, pela iniciativa privada. Elas têm o direito de cobrar o pedágio, que na maioria das vezes tem um preço “salgado”, mas em compensação entregam estradas de primeiro mundo.

Órgão do governo, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), por sua vez, administra atualmente 20 concessões de rodovias, totalizando aproximadamente 9.697 km de estradas, número que tende a mudar, pois no início deste ano deu-se início à uma nova etapa de concessões.

Segundo a agência, a concessão de rodovias garante justamente o investimento e a manutenção necessária em trechos rodoviários constantemente. Essas estradas têm normalmente um fluxo maior e podem causar desgastes mais rápidos do pavimento, uma manutenção que não pode depender de recurso público.

Outras responsabilidades dessas concessionárias incluem o atendimento aos usuários, em especial, o atendimento médico de emergência em acidentes e o serviço de guincho para veículos avariados na rodovia. O que funciona com muita eficiência. Para isso servem os pedágios, que por lei deve ter parte do valor arrecadado dirigido para investimento em obras e ações de melhorias para as vias.

As maiores concessões, as melhores rodovias

Uma das principais rodovias do país e um trecho muito frequentado por motoristas de VUCs é a Presidente Dutra, que liga Rio de Janeiro a São Paulo nos seus 402 quilômetros de extensão, passando ainda por 34 cidades. Desde 1996 é administrada pela CCR NovaDutra, que deixa visível a modernidade do trecho, incluindo com ótima pavimentação e sinalização, e outras facilidades como viadutos, passarelas e um eficiente serviço de atendimento e socorro.

Imagem da Serra da Anchieta, rota de
caminhões grandes e de VUCs (Ecovias)

Caminho obrigatório ao Porto de Santos, os VUCs encaram as estradas de concessão da Ecovias, mais conhecidas como Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI). Um trecho de serra, que durante muitos anos foi considerado perigoso, principalmente para os caminhões, aliás, por ali passam muitos, mas muitos caminhões.

Para se ter uma ideia, desde que a Ecovias assumiu a administração do SAI, os números de acidentes e mortes caíram drasticamente neste trecho. Em 2017, foram registrados 4.438 acidentes contra 7.147 em 1999, uma redução de 38%. Em relação às vítimas fatais, o número caiu 52%, de 149 em 1999 para 72 em 2017, segundo os dados da concessionária.

 

Quem está nas estradas

O motorista Adriano Moraes, 42 anos, estava parado num posto da Dutra quando conversou conosco. Ele tem um caminhão Iveco Daily 35S14, ano 2012, com um implemento de carga seca.

Adriano Moraes faz viagens para
Belo Horizonte e Porto Ferreira

Autonôno, ele faz distribuição urbana e também pega estradas. “Transporto todo tipo de mercadoria, de embalagens a material oftalmológico. Viajo bastante para Porto Ferreira e Belo Horizonte. Para a capital mineira, eu levo peças automotivas e Porto Ferreira transporto louças, que a empresa compra e me contrata para ir buscar”, comenta. “Do restante, rodo bastante pela região, São Bernardo, Osasco, esses lugares”, completa.

“Na verdade, a maior dificuldade eu encontro é o pedágio e o preço do óleo, que são de minha responsabilidade, apesar de tentar incluir no valor do frete, eu não posso colocar muito pra cima porque senão o cliente não fecha o negócio, porque tem gente que oferece mais barato, bem mais barato, pelo mesmo trabalho”.

Para conseguir o trabalho, ele aposta na formalidade. “Tenho rastreador, a numeração pra seguir a carga e como trabalho direito muitas pessoas me indicam. Além disso, ofereço a segurança da nota fiscal, que muita gente não tem, e eu como tenho uma empresa aberta posso oferecer. Damos um feedback no final da carga, falamos com cliente”, observa Adriano.

O empresário da empresa Personnalité Uniformes, Carlos Guedes, 60 anos, com 15 de transporte, dirige uma picape Toyota Hilux, na qual carrega uniformes. “Distribuo para o Brasil inteiro, pego estraga, vou para Ribeirão Preto, Paraná etc”, diz. Entre as dificuldades, ele destaca as condições de estrada, dependendo do trecho por serem mais precárias. “Uma estrada pedagiada é bem cuidada, quando não é infelizmente, fica mais difícil”, analisa.

Carlos Guedes é frequente
nas estradas para o Paraná

A transportadora Gelatto Transportes Climatizados aposta no diferencial para fazer sua distribuição por várias cidades do país. No total, tem seis veículos entre Fiat Fiorino, Kia Bongo, Hyundai HR e Mercedes-Benz Sprinter, todos equipados com baús climatizados. “Fazemos entregas de produtos que tenham necessidade de controle de temperatura, ou seja, climatizados, refrigerados e congelados. Queijos, vinhos, doces finos, carnes, sorvetes, etc. Nosso objetivo é oferecer qualidade em conformidade com as exigências dos nossos clientes”, explica José Ferreira, proprietário da empresa que já funciona há 8 anos.

José Ferreira faz viagens
no eixo sul-sudeste

Já que atende em todo eixo sul-sudeste do Brasil, José exemplifica a precificação por conta do tamanho do veículo como uma das suas dificuldades. “Uma viagem Rio-São Paulo, por exemplo custa quase o mesmo de uma carreta, mas é um serviço que temos que fazer, pois quando chega na cidade, só podemos circular por causa do tamanho adequado, por conta das restrições”, completa.

Revelando o lado do transportador de grande porte, Michael de Oliveira, diretor de Operações da Jamef, conta que sua frota tem todos os tamanhos de caminhões, mas os VUCs têm um papel importante na operação.

Michael de Oliveira:
VUCs necessários
para trechos curtos

“Temos 100 unidades do Mercedes-Benz Accelo, que fazem distribuição quando a carga não tem volumetria suficiente para usar uma carreta, além disso, limitamos a uma distância de 400 km de trecho. Por exemplo, entre São Paulo e São José dos Campos, Sorocaba, Florianópolis, Criciúma”, explica.

A empresa oferece aos seus clientes aparatos de segurança de alta tecnologia, e o cumprimento do prazo em 100% das operações. “Nossos VUCs são monitorados, usam isca na carga, travas de baú, sensores, tudo para garantir a entrega com excelência”, diz.

Uma das maiores dificuldades da nossa operação com VUCs é a distribuição no Rio de Janeiro, mas nós encontramos a melhor maneira de fazê-las, inclusive nas comunidades. “A tecnologia que encontramos foi contratar os colaboradores na própria comunidade”, afirma Michael.

Quanto ao perigo do roubo de carga, o diretor garante que é muito difícil acontecer com um caminhão da Jamef. “Usamos frequência diferenciada de rastreadores, e as iscas não são de frequência de celular, então, cercamos para todos os lados. Se acontecer alguma coisa com um caminhão da Jamef, nós pelos meios legais vamos descobrir onde está”.